O Brasil, que possui capacidade para produzir cerca de 170 milhões de toneladas do grão de soja, manifestou-se, hoje, disposto a apoiar Angola a expandir o cultivo da leguminosa, convencionalmente ou por via transgénica, mediante o devido enquadramento jurídico.
Esta intenção foi revelada durante uma visita de uma delegação multissectorial angolana ao Centro de Investigação da unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), situada nos arredores de Brasília.
A comitiva nacional, liderada pelo secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Custódio Vieira Lopes, foi recebida pelos responsáveis da instituição, entre os quais Roberto Guimarães, Fábio Reis e Lorivaldo Vilela, que fizeram saber que as tecnologias desenvolvidas pela instituição contribuem para garantir alimentos para cerca de 700 milhões de pessoas em todo o mundo, além de apoiar cadeias produtivas que permitem ao Brasil exportar produtos agrícolas para mais de 200 países, com 80% da produção da soja a ser exportada para a China.
A EMBRAPA, que trabalha há cerca de 50 anos e é uma referência internacional para a apresentação de soluções no sector agrícola, possui um Centro de Pesquisa, chamado Agropecuária dos Cerrados, situado a aproximadamente 30 quilómetros da capital brasileira.
O país sul-americano é o maior exportador de soja do mundo, por isso Angola, que possui uma área de produção estimada entre 20 mil e 60 mil hectares de soja, espera colher benefícios desta potencial parceria estratégica.
Outro ponto de interesse apresentado pela delegação nacional foi a experiência brasileira em biologia e manuseio dos solos, área considerada crucial para aumentar a produtividade agrícola.
A EMBRAPA indicou que dispõe de 33 laboratórios especializados, responsáveis por mais de 60 mil análises de solos, e mostrou-se disponível para colaborar na produção local de fertilizantes e na formação técnica de quadros angolanos. A delegação também tomou conhecimento das técnicas de produção de trigo, o quarto grão mais cultivado no Brasil, cuja produção prevista para este ano é de cerca de 6,9 milhões de toneladas, integrando uma safra agrícola nacional estimada em 350 milhões de toneladas anuais.
Por fim, ressaltou o modelo brasileiro de sistemas integrados de produção agropecuária, que combina solo, plantas e pecuária, considerado uma referência em sustentabilidade.
O Brasil possui cerca de 160 milhões de hectares de pastagens.
A visita esteve enquadrada nos trabalhos entre Angola e o Brasil para a definição das bases institucionais e operacionais do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil–Angola e para impulsionar a cooperação e o investimento no sector agrícola, conclui o documento.
