O Corredor do Lobito pode tornar-se numa verdadeira plataforma de desenvolvimento e de dinamização da Zona de Livre Comércio Continental Africana, contribuindo para a integração económica regional e para a facilitação do comércio intra-africano, com importantes benefícios para as nossas economias e populações, afirmou, quinta-feira, em Luanda, o Presidente da República.
César Esteves
Essas declarações foram proferidas pelo Presidente João Lourenço durante o discurso de abertura da Reunião de Alto Nível sobre o Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito, realizada na capital angolana, com a presença de altos membros dos governos dos três países que compõem o corredor e de parceiros de desenvolvimento multilaterais e bilaterais, com destaque para o Banco Mundial.
O Chefe de Estado referiu que o projecto ferroviário tem vindo a afirmar-se como um eixo fundamental de ligação entre Angola, a República Democrática do Congo (RDC) e a Zâmbia, com um enorme potencial para dinamizar o comércio, a produção, a logística e a transformação económica em toda a região.
“O Corredor do Lobito é mais do que um projecto de infra-estrutura, é um projecto de confiança, de integração e de futuro partilhado”, declarou o estadista angolano.
O seu verdadeiro sucesso, prosseguiu, vai ser medido não apenas por quilómetros de linha ferroviária ou volumes de carga transportada, mas pelo impacto que vai produzir na vida das pessoas.
“O Corredor do Lobito deve ser um verdadeiro motor de transformação económica”, defendeu.
Para tal, o Presidente da República disse ser necessário que se garanta que a “espinha dorsal” do Corredor do Lobito, nomeadamente as suas infra-estruturas ferroviárias, rodoviárias e energéticas, estejam totalmente reabilitadas e interligadas, para garantir eficiência e competitividade.
João Lourenço considerou relevante e estratégico que se concretizem os projectos de reabilitação da parte ferroviária na RDC, assim como a materialização da ligação ferroviária e rodoviária à Zâmbia, assim como a interligação da rede de transporte de energia de Angola à região, para beneficiar as populações nos dois países vizinhos.
“Sem este esforço, a concretização de um efectivo corredor de desenvolvimento para os nossos países, integrados no contexto da economia global, ficará muito mais desafiante”, ressaltou.
A Reunião de Alto Nível sobre o Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito, enfatizou o Presidente da República, representa, por isso, um passo de consolidação que consiste em elevar a coordenação a um patamar mais operativo, assegurando a harmonização regulamentar e de processos de facilitação, com metas, responsabilidades e acompanhamento regular.
O Chefe de Estado disse que os parceiros de desenvolvimento desempenham um papel central neste processo, cujo apoio referiu ser determinante não apenas na mobilização de investimentos catalisadores, mas, também, no apoio às reformas estruturais e na harmonização normativa.
“É precisamente neste contexto que surge o Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito, concebido como uma plataforma de coordenação e alinhamento estratégico”, aclarou.
Evitar esforços paralelos que diminuam o impacto
O seu objectivo, precisou , não é o de criar novas estruturas, nem burocracias adicionais, mas assegurar que todas as iniciativas promovidas por instituições multilaterais, parceiros bilaterais e investidores privados estejam devidamente articuladas, evitando duplicações, fragmentações e esforços paralelos que possam diminuir o impacto colectivo.
Para o estadista angolano, a complementaridade entre projectos, financiamentos e reformas é a chave para maximizar resultados e acelerar a implementação.
“Importa sublinhar que o que está em causa não são apenas infra-estruturas de transporte. O Corredor do Lobito deve ser um verdadeiro motor de transformação económica”, destacou.
O Chefe de Estado esclareceu que o objectivo é permitir que o corredor impulsione o desenvolvimento do agronegócio, promova a transformação industrial, fortaleça cadeias de valor regionais e crie oportunidades económicas sustentáveis.
João Lourenço esclareceu que outro dos objectivos com o corredor passa por gerar empregos dignos, com especial atenção para os jovens e as mulheres.
A ideia, ressaltou , é garantir que o crescimento económico se traduza numa melhoria efectiva da qualidade de vida das populações das áreas abrangidas pelo projecto ferroviário.
“É esse compromisso para com as populações que deve guiar as nossas decisões e acelerar a nossa acção”, defendeu.
João Lourenço reafirmou o compromisso do país de liderança cooperativa e de execução responsável, com transparência e sentido de urgência, para que os resultados sejam visíveis no quotidiano dos cidadãos.
“Estamos convictos de que, trabalhando de forma alinhada e coordenada, conseguiremos transformar o Corredor do Lobito num verdadeiro catalisador de desenvolvimento inclusivo e sustentável”, declarou.
Angola tem registado crescimento económico positivo e sustentado
O Presidente da República deu a conhecer, na ocasião, que o país tem registado, nos últimos anos, um crescimento económico positivo e sustentado, assente num esforço contínuo de estabilização macroeconómica e de diversificação da sua economia.
João Lourenço disse que o país tem procurado, em paralelo, criar melhores condições para investimentos estruturantes, reforçando a confiança e a previsibilidade necessárias para projectos de longo prazo.
O Chefe de Estado disse que a parceria de Angola com os bancos Mundial, Africano de Desenvolvimento, com a União Europeia, Estados Unidos da América e parceiros multilaterais, bilaterais e do sector privado tem sido decisiva na dinamização deste projecto.
“O seu apoio permite o fortalecimento das reformas institucionais, criando confiança e credibilidade para novos investidores”, salientou.
A título ilustrativo, o Presidente da República mencionou a assinatura, no dia 17 de Dezembro de 2025, do financiamento de 753 milhões de dólares para a Lobito Atlantic Railway (LAR), incluindo 553 milhões de dólares pela Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos da América (DFC) e 200 milhões de dólares do Banco de Desenvolvimento da África do Sul (DBSA).
Este investimento, precisou, visou apoiar a reabilitação e modernização do eixo ferroviário e componentes logísticas associadas ao Corredor do Lobito.
João Lourenço disse que este passo, que considerou relevante, confirma que o corredor reúne condições para mobilizar financiamento estruturado e de longo prazo, assim como reforça a credibilidade e a “bancabilidade” do projecto.
Referiu que o mesmo cria, ainda, efeito de demonstração para novos investidores e impõe maior responsabilidade colectiva, fazendo com que o financiamento assinado se traduza em obras, que as operações sejam eficientes, as reformas executadas e os resultados medidos.
Por essa razão, disse ser fundamental que as boas intenções em torno do Corredor do Lobito se traduzam em decisões operacionais e em instrumentos de execução.
“Precisamos de alinhar prioridades, definir roteiros, estabelecer responsabilidades e criar mecanismos de acompanhamento que garantam impacto real, mensurável e duradouro”, ressaltou o estadista angolano.
