Angola reiterou, segunda-feira, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, a importância da criação de emprego como instrumento fundamental para o reforço da coesão social, da resiliência das comunidades e da consolidação da paz sustentável.
A posição foi expressa pelo representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, durante a Reunião Conjunta de 2026 do Conselho Económico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) e da Comissão para a Consolidação da Paz (CCP), realizada sob o tema “Do Risco à Resiliência: Promover a Coesão Social através da Criação de Emprego em Contextos de Consolidação da Paz”.
Ao intervir na reunião, o diplomata angolano destacou a relevância do tema para o desenvolvimento sustentável e a manutenção da paz, sublinhando que, para Angola, a criação de emprego representa muito mais do que uma prioridade económica, constituindo um verdadeiro caminho para a transformação social e para o fortalecimento da estabilidade.
“O trabalho digno promove a inclusão, a dignidade e as oportunidades, especialmente para os jovens, permitindo-lhes contribuir activamente para as suas comunidades e para o desenvolvimento nacional”, afirmou.
Francisco José da Cruz recordou a experiência de Angola enquanto país que emergiu, em 2002, de quase três décadas de conflito armado, salientando que o investimento na juventude continua a ser um elemento central na construção de uma sociedade pacífica, resiliente e inclusiva.
O embaixador destacou, a propósito, os esforços desenvolvidos pelo Executivo angolano no reforço do capital humano, na expansão da protecção social e na promoção do desenvolvimento económico local, apontando o Programa Kwenda como um exemplo concreto da ligação entre a protecção social e a inclusão económica das famílias e comunidades mais vulneráveis.
O papel estratégico do Corredor do Lobito, ressaltou Francisco José da Cruz, é fundamental na promoção do crescimento económico, criação de emprego e na integração regional, gerando benefícios tangíveis para o desenvolvimento sustentável e para a estabilidade das comunidades.
O representante permanente de Angola defendeu, ainda, que as estratégias de emprego em contextos de consolidação da paz devem privilegiar o investimento em competências, o empoderamento das mulheres e dos jovens, o apoio ao empreendedorismo e o fortalecimen-to das pequenas e médias empresas, como factores essenciais para o desenvolvimento inclusivo.
Francisco José da Cruz reafirmou o compromisso do país com a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 2063 da União Africana, apelando à continuidade dos esforços internacionais para colocar as pessoas no centro das políticas de desenvolvimento.
“Alargar o acesso ao trabalho digno e às oportunidades económicas é fundamental para construir sociedades mais inclusivas, coesas e resilientes”, realçou o diplomata.
