Angola apresentou os avanços alcançados no domínio da cirurgia robótica e da telecirurgia, durante um fórum internacional sobre inovação tecnológica em saúde, realizado em Nova Iorque, à margem da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
A reunião, de alto nível, promovida pelo Ministério da Saúde da Indonésia, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), juntou representantes governamentais, especialistas internacionais e parceiros tecnológicos para analisar o papel das novas soluções digitais e robóticas na expansão do acesso a cuidados de saúde diferenciados, sobretudo para populações residentes em zonas remotas.
A delegação angolana do Ministério da Saúde foi chefiada pelo secretário de Estado para a Saúde Pública, Carlos Alberto Pinto de Sousa, e integrou o director do Instituto de Especialização em Saúde (IES), Djamel Kitumba, o coordenador e Gestor Técnico da Unidade de Implementação do Projecto de Formação dos Recursos Humanos em Saúde (UIP/PFRHS), Prof. Job Monteiro, entre outros representantes.
Na ocasião, Angola partilhou os progressos alcançados na implementação da cirurgia robótica, destacando a realização de cerca de 150 procedimentos e o reforço gradual da capacidade técnica das equipas nacionais.
O director do Instituto de Especialização em Saúde, Djamel Kitumba, destacou que a evolução do programa tem permitido uma participação cada vez mais autónoma dos profissionais angolanos, com médicos e enfermeiros nacionais a assumirem progressivamente a realização dos procedimentos, com o apoio de equipas internacionais especializadas.
Segundo o responsável, a mais recente missão realizada com o sistema de cirurgia robótica da Medbot demonstrou avanços significativos na transferência de conhecimento, traduzidos num maior envolvimento das equipas angolanas na condução das intervenções cirúrgicas.
“A tecnologia só produz verdadeiro impacto quando é acompanhada por capacitação, formação contínua e criação de competências nacionais”, afirmou.
O fórum contou igualmente com intervenções da Medbot, empresa responsável pelo desenvolvimento dos sistemas de cirurgia robótica utilizados em Angola, do cirurgião robótico internacional Vipul Patel e do presidente da Sociedade Mundial de Cirurgia Robótica, Palmer, que abordaram o potencial da inovação tecnológica na transformação dos modelos de prestação de cuidados de saúde.
Por seu turno, o Ministério da Saúde da Indonésia apresentou a estratégia nacional de expansão da cirurgia robótica, que prevê a instalação de equipamentos em unidades hospitalares, a criação de centros de formação e o desenvolvimento de capacidade local para a produção de consumíveis, com o objectivo de reduzir custos e ampliar o acesso da população a procedimentos altamente especializados.
Os participantes defenderam que a adopção de tecnologias avançadas nos sistemas de saúde deve ser acompanhada por investimentos em recursos humanos, formação especializada e modelos sustentáveis de utilização, de modo a garantir maior impacto e benefício para as populações.
A Organização Mundial da Saúde destacou a importância de os países africanos continuarem a investir em soluções inovadoras, tendo em conta os desafios associados ao crescimento populacional, às desigualdades no acesso aos cuidados diferenciados e à necessidade de reforçar a disponibilidade de profissionais qualificados.
