O corredor do Lobito está a emergir como um factor de desenvolvimento estratégico de África, oferecendo uma rota atlântica para o comércio, a logística, os minerais críticos, produção industrial e a integração dos mercados regionais, destacou, hoje, em Roma, a embaixadora de Angola na Itália Josefa Correia Sacko.
A diplomata falava num evento organizado pelo Instituto de Assuntos Internacionais de Roma, sobre a conciliação de interesses ao longo do corredor do Lobito: Diplomacia, desenvolvimento, minerais críticos e o alinhamento da declaração de Kampala do Programa Compreensivo de Desenvolvimento da Agricultura de África (CAADP, sigla em Inglês), refere uma nota, enviada ao JA Online.
Segundo a embaixadora, a medida que a procura por minerais críticos ligados à transição energética global cresce, o corredor de Lobito tornou-se uma plataforma fundamental onde as prioridades de desenvolvimento africanas se cruzam em matéria de infra-estruturas, a diversificação da cadeia de abastecimento e da coordenação de investimentos.
Por essa razão, sublinhou que o Corredor do Lobito não deve ser encarado apenas sob a perspectiva das exportações de minerais.
Realçou ainda que a elevância da infra-estrutura a longo prazo dependerá da capacidade de gerar benefícios de desenvolvimento mais amplos para Angola, República democrática do Congo (RDC) e a Zâmbia, através do desenvolvimento de empresas locais, da facilitação do comércio, da transformação agrícola, do desenvolvimento de competências, dos serviços de logística, do acesso à energia e do emprego.
Para a diplomata, o corredor pode ser alinhado com a agenda da declaração de Kampala do CAADP, que reorienta um quadro restrito de produção agrícola para uma agenda mais ampla de transformação dos sistemas agroalimentares, no apoio de desenvolvimento de cestas básicas, o comércio transfronteiriço de alimentos, o armazenamento e as cadeias de frio, as zonas de transformação agrícola, a produção resiliente às alterações climáticas, bem como, ao emprego juvenil e as empresas lideradas por mulheres.
A também representante de Angola junto das organizações das Nações Unidas em Roma, referiu que nesta perspetiva, permitiria ao corredor servir tanto as necessidades da cadeia de abastecimento global como as próprias prioridades de África em matéria de segurança alimentar, comércio regional e transformação estrutural.
Afirmou que Angola constitui a porta de entrada atlântica do corredor e uma parte essencial da sua espinha dorsal física que confere ao país um papel decisivo na definição da orientação, da governação e das ambições de desenvolvimento do corredor.
