A participação de Angola nas Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo Banco Mundial, encerrada domingo, em Banguecoque, na Tailândia, permitiu aprofundar o diálogo com instituições financeiras internacionais, apresentar a evolução da economia nacional e explorar oportunidades de cooperação técnica e investimento alinhadas com as prioridades de desenvolvimento do país.
O secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, integrou a delegação angolana numa agenda que incluiu reuniões estatutárias, encontros bilaterais e contactos com instituições financeiras, agências de notação de risco e parceiros internacionais.
No balanço da participação, considerou positivos os resultados alcançados, destacando o reforço das relações institucionais, a análise de operações em curso e as perspectivas de aprofundamento da cooperação, sobretudo no domínio da gestão da dívida pública.
Durante os encontros, a delegação apresentou os desenvolvimentos recentes da economia nacional, com destaque para os indicadores macroeconómicos, a gestão das finanças públicas, a política monetária e as operações de gestão da dívida.
Neste domínio, foram abordadas as emissões internacionais de títulos, no valor global de quatro mil milhões de dólares norte-americanos, e as operações de gestão de passivos avaliadas em 1,2 mil milhões de dólares, no quadro dos esforços para assegurar a sustentabilidade da dívida pública.
A agenda bilateral abrangeu reuniões com o J.P. Morgan, o Banco Japonês para a Cooperação Internacional (JBIC), o Standard Bank London, o Intercontinental Investment Bank de Cabo Verde, o Nexent Bank, o Société Générale, o Standard Chartered, o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) e a Africa Finance Corporation (AFC).
No plano multilateral, Angola participou na Reunião Ministerial do Grupo Intergovernamental dos Vinte e Quatro (G-24), que debateu os efeitos da fragmentação económica global sobre as economias emergentes e em desenvolvimento.
A sustentabilidade da dívida, a mobilização do investimento privado, a integração regional, a diversificação económica e a reforma da arquitectura financeira internacional estiveram entre os principais temas em análise. A participação incluiu, ainda, a Sessão Plenária das Reuniões Anuais, realizada na sexta-feira, dedicada aos desafios da economia mundial e às prioridades do desenvolvimento.
Entre os aspectos destacados, estiveram a mobilização de capital público e privado, o investimento em infra-estruturas, a criação de emprego e a utilização eficiente dos recursos públicos, considerados essenciais para estimular o crescimento sustentável e ampliar as oportunidades económicas.
Outro aspecto relevante foi o acompanhamento das mudanças nas estruturas de representação do Banco Mundial e do FMI, incluindo a designação de Pedro Luís da Fonseca para o cargo de director executivo da Constituência que integra Angola, África do Sul e Nigéria no Banco Mundial, e de Pedro Castro e Silva para a representação da Constituência Africana no FMI. Estas funções contribuem para a articulação dos interesses dos países representados junto dos órgãos de decisão das duas instituições multilaterais. Os resultados da participação serão enquadrados nas prioridades da política económica e financeira nacional, tendo em conta a Estratégia de Endividamento de Médio Prazo e os princípios de sustentabilidade da dívida pública.
Para Angola, as Reuniões Anuais constituíram uma oportunidade para divulgar os progressos da economia nacional, consolidar relações institucionais e aprofundar parcerias que contribuam para a diversificação económica, a criação de emprego e a melhoria das condições de vida da população.
Recorde-se que o FMI prevê que a economia mundial cresça 3,1 por cento este ano e 3,4 por cento no próximo.
Para Angola, o FMI prevê um crescimento de 4,4 por cento este ano, depois de 3,1 por cento em 2025, seguido de um abrandamento para 3,3 por cento em 2027. É uma revisão em alta expressiva. Em Abril, o Fundo previa que a economia angolana crescesse 2,3 por cento este ano e 2,6 por cento no próximo, bem abaixo da média regional. Agora, Angola passa a crescer acima dela.
Angola assume presidência no FMI
Angola assume, a partir de 1 de Novembro, a Direcção Executiva da Constituência junto do FMI.
O tema foi abordado, recentemente, em Banguecoque, na Tailândia, nas Reuniões Anuais do Banco Mundial e FMI, realizadas de 12 a 18 deste mês.
Na ocasião, o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, abordou a transição na Direcção Executiva da Constituência, com a saída de Adriano Ubisse e a indicação de Pedro Castro e Silva, por Angola.
Reformas em curso
Os progressos de Angola na estabilização macroeconómica, na gestão da dívida pública e na diversificação económica foram destacados pelo secretário de Estado para as Finanças e Tesouro.
Ottoniel dos Santos integrou a missão angolana às Reuniões Anuais do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI), encerradas ontem em Banguecoque, capital da Tailândia.
Esta abordagem foi apresentada no encontro com o director executivo cessante da constituência angolana no Fundo Monetário Internacional (FMI), Adriano Ubisse, no âmbito das Reuniões Anuais do Banco Mundial e do FMI.
Na ocasião, o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro realçou o desempenho da economia angolana em 2026, com o Produto Interno Bruto real a registar um crescimento, impulsionado sobretudo pelo sector não petrolífero. Apesar desta evolução, salientou a necessidade de acelerar a diversificação económica e ampliar as receitas não petrolíferas, reduzindo a dependência do petróleo.
Já no domínio fiscal, o responsável destacou a reforma dos subsídios aos combustíveis e a implementação de mecanismos de protecção social destinados aos grupos mais vulneráveis. Referiu, igualmente, a importância do reforço da transparência e da prestação de contas na gestão orçamental.
Quanto à dívida pública, Ottoniel dos Santos abordou o regresso de Angola aos mercados internacionais de capitais.
